quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Outro olhar
 
O pintor e documentarista francês, Hugues de Montalembert, tinha
 trinta e cinco anos quando sua vida mudou drasticamente. Durante
 um assalto ocorrido no ano de 1978, em Nova York, ele perdeu a visão.
Após o acidente, ele teve que se adaptar a outra realidade. Na vida, que
 antes era banhada pela luz e cor, agora predominaria a escuridão.
Ele que, em sua profissão, entendia o mundo através dos olhos,
 fotografando paisagens e pintando telas, encontrou-se em um
 mundo abstrato, composto basicamente por sons.
Mas não se deixou abater e descobriu que a saída estava
 dentro dele mesmo.
Com o objetivo de reconquistar sua independência e recuperar
 a liberdade, ele seguiu enfrentando a nova realidade, iniciando
 um processo contínuo de autossuperação.
O primeiro obstáculo foi vencido quando aprendeu a caminhar
 pelas ruas acompanhado apenas pela bengala.
Para reencontrar o prazer de viver, empreendeu viagens solitárias
 a lugares distantes como Indonésia, Groenlândia e Himalaia,
 desenvolvendo uma impressionante habilidade de versem os olhos.
Descobriu que o medo é o principal inimigo da pessoa cega. 
E, mesmo sem enxergar, continuou a amar a vida.
Uma grande descoberta que fez foi quando identificou que
 a luz é capaz de tornar muitas coisas invisíveis. Antes ele se
 ocupava tanto em olhar, que deixava de perceber, escutar e
 sentir as pessoas.
Simplesmente porque seus olhos agora não podiam mais enxergar,
 ele passou a conhecer as pessoas melhor, buscando o sentimento
 que traziam na voz, no sorriso, no toque e na movimentação.
No constante duelo com a escuridão, acabou entrando em contato
 com a sua essência, encontrando, dentro de si, características
 que não teria identificado em outra situação.
Sentiu-se vitorioso, quando muitas pessoas na mesma condição
 sentir-se-iam derrotadas.
Em suas novas aventuras pelo mundo contemplou paisagens,
 criando sua própria visão através da somatória dos sons,
 movimentos e aromas que a natureza lhe oferecia.
Aprendeu a criar imagens evocando um mundo que havia
 observado intensamente por trinta e cinco anos.
 Tornou-se capaz de descrever uma paisagem 
e reconhecer sua beleza, sem vê-la, apenas com a
 percepção dos demais sentidos.
*  *   *
Sirvamo-nos do exemplo de superação desse homem, 
que foi capaz de enfrentar as dificuldades e adaptar-se com
 alegria a uma nova vida, não se prendendo ao passado,
 pois sabia que se o fizesse, ceifaria seu futuro.
Deixemos a nossa sensibilidade fluir, descobrindo que os
 olhos da alma são capazes de enxergar dimensões infinitas,
 que vão além do que podemos ver com os olhos físicos.
Ainda que tenhamos uma visão perfeita, não nos tornemos
 cegos para a beleza e poesia da vida.
Ver é enxergar além. É se colocar além da aparência e
 identificar que há um outro mundo além do mundo real.

 RDM, com base no livro Um outro olhar, 
de Hugues de Montalembert

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

VOEM JUNTOS ....
 MAS , NUNCA AMARRADOS


Conta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, 
Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens 
guerreiros e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais
 formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas na
 tenda do velho sábio da tribo e falaram: Nós nos amamos
 e vamos nos casar.
E nos amamos tanto que queremos um conselho, ou um talismã. 
Alguma coisa que garanta que poderemos ficar sempre juntos. 
Que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até a morte.
O velho sábio, ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão 
ansiosos por uma palavra, disse: Tem uma coisa a ser feita,
 mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada...
Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia,
 e apenas com uma rede e tuas mãos caçar o falcão mais 
vigoroso do monte e traze-lo com vida, até o terceiro dia
 depois da lua cheia.
E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono,
 onde encontrarás a mais brava de todas as águias.
 Somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la 
trazendo-a viva.
Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para
 cumprir a missão recomendada. No dia estabelecido, 
na frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as
 aves dentro de um saco.
O velho pediu que, com cuidado, as tirassem dos sacos,
 e viu que eram belos exemplares...
E agora o que faremos?  Perguntou o jovem  nós as matamos
 e depois bebemos à honra de seu sangue? Ou cozinhamos e
 depois comemos o valor da sua carne?  Propôs a jovem.
Não!  Disse o velho sábio. Apanhem as aves e as amarrem
 entre si pelas patas, com essas fitas de couro.
Quando estiverem amarradas, soltem-nas, para que
 voem livres...
O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado,
 e soltaram os pássaros...
A águia e o falcão tentaram alçar vôo, mas apenas
 conseguiram saltar pelo terreno.
Minutos depois, irritadas pela incapacidade de voar,
 as aves jogavam-se uma contra a outra, bicando-se
 até se machucar.
E o velho disse: jamais esqueçam o que estão vendo...
Este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão... 
Se estiverem amarrados, um ao outro, ainda que por amor,
 viverão arrastando-se e, cedo ou tarde, começarão a
 machucar-se mutuamente.
Se quiserem que o amor entre vocês perdure... 
voem juntos... Mas nunca amarrados"

terça-feira, 31 de julho de 2012

 O valor de nossos pais......

Um jovem de nível acadêmico excelente, candidatou-se à posição de gerente de
uma grande empresa.

Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última entrevista e tomou a
última decisão.

O diretor descobriu através do currículo que as suas realizações acadêmicas
eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até à pesquisa da
pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse pontuado com nota
máxima.

O diretor perguntou, "Tiveste alguma bolsa na escola?" o jovem respondeu,
"nenhuma".

O diretor perguntou, "Foi o teu pai que pagou as tuas mensalidades ?" o
jovem respondeu, "O meu pai faleceu quando tinha apenas um ano, foi a minha
mãe quem pagou as minhas mensalidades."

O diretor perguntou, "Onde trabalha a tua mãe?" e o jovem respondeu, "A
minha mãe lava roupa."

O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as su as mãos. O jovem mostrou um
par de mãos macias e perfeitas.

O diretor perguntou, "Alguma vez ajudaste a tua mãe a lavar as roupas?", o
jovem respondeu, "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse
mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu."

O diretor disse, "Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltares, vais e limpas
as mãos da tua mãe, e depois vens ver-me amanhã de manhã."

O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou a
casa, pediu feliz à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou
estranho, estava feliz mas com um misto de sentimentos e mostrou as suas
mãos ao filho.

O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe enquanto
o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito
enrugadas, e havia demasiadas contusões nas suas mãos. Algumas eram tão
dolorosas que a mãe se queixava quando limpa s com água.

Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que
lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as mensalidades. As contusões nas
mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência acadêmica e
o seu futuro.
Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as
restantes roupas pela sua mãe.

Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo.

Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor.
O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou, "Diz-me, o
que fizeste e aprendeste ontem em tua casa?"

O jovem respondeu, "Eu limpei as mãos da minha mãe, e ainda acabei de lavar
as roupas que sobraram."

O diretor pediu, "Por favor diz-me o que sentiste."

O jovem disse "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe, não
haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe,
só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo pronto. Em terceiro,
agora aprecio a importância e valor de uma relação familiar."

O diretor disse, "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero recrutar
alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o
sofrimento dos outros para terem as coisas feitas, e uma pessoa que não
coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Estás contratado."

Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus
subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e como equipe.
O desempenho da empresa melhorou tremendamente.

Uma criança que foi protegida e teve habitualmente tudo o que quis, vai
desenvolver- se mentalmente e vai sempre colocar-se em primeiro. Vai ignorar
os esforços dos seus pais, e quando começar a trabalhar, vai assumir que
toda a gente o deve ouvir e quando se tornar gerente, nunca vai saber o
sofrimento dos seus empregado s e vais sempre culpar os outros.
Para este tipo de pessoas, que podem ser boas academicamente, podem ser bem
sucedidas por um bocado, mas eventualmente não vão sentir a sensação de
objetivo atingido. Vão resmungar, estar cheios de ódio e lutar por mais. Se
somos esse tipo de pais, estamos realmente a mostrar amor ou estamos a
destruir o nosso filho?

Pode deixar o seu filho viver numa grande casa, comer boas refeições,
aprender piano e ver televisão num grande plasma. Mas quando cortar a relva,
por favor deixe-o experienciar isso. Depois da refeição, deixe-o lavar o seu
prato juntamente com os seus irmãos e irmãs. Isto não é porque não tem
dinheiro para contratar uma empregada, mas porque o quer amar como deve de
ser. Quer que ele entenda que não interessa o quão ricos os seus pais são,
um dia ele vai envelhecer, tal como a mãe daquele jovem.****
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*A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é a apreciar o
esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade de
trabalhar com os outros para fazer as coisas. **

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*Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim?*****
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