Este é um espaco, que finalmente criei coragem de comecar a construir para poder expressar e dividir meu conhecimento, minhas buscas, meus achados na jornada pelo crescimento emocional e espiritual. Faco minhas as palavras de um blog do qual sou fã: "Não sou tão careta quanto pareço. Nem tão culta. Não acredite em nada do que eu escrever. Acredite em você mesmo e no seu coração."
sábado, 28 de janeiro de 2012
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Sobre estar sozinho
Flávio Gikovate*
Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações
O que se busca, hoje, é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade,
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego,
* Flávio Gikovate é médico formado pela USP no ano de 1966. Desde 1967, trabalha
domingo, 22 de janeiro de 2012
A parábola da Carroça Vazia
Uma das grandes preocupações de nosso pai, quando éramos pequenos, consistia
em fazer-nos compreender o quanto a cortesia é importante na vida.
Por várias vezes percebi o quanto lhe desagradava o hábito que têm certas pessoas de
interromper a conversa quando alguém está falando. Eu, especialmente, incidia muitas
vezes nesse erro. Embora visivelmente aborrecido, ele, entretanto, nunca ralhou comigo
por causa disso, o que me surpreendia bastante.
Certa manhã, bem cedo, ele me convidou para ir ao bosque a fim de ouvir o cantar dos
pássaros. Concordei, com grande alegria, e lá fomos nós, umedecendo nossos calçados
com o orvalho da relva. Ele se deteve em uma clareira e, depois de um pequeno silêncio,
me perguntou:
- Você está ouvindo alguma coisa além do canto dos pássaros?
Apurei o ouvido alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo o barulho de uma carroça que deve estar descendo pela estrada.
- Isso mesmo... - disse ele - É uma carroça vazia...
De onde estávamos não era possível ver a estrada e eu perguntei admirado:
- Como pode o senhor saber que está vazia?
Meu pai pôs a mão no meu ombro e olhou bem no fundo dos meus olhos, explicando:
- Por causa do barulho que faz. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Não disse mais nada, porém deu-me muito o que pensar. Tornei-me adulto e, ainda hoje,
quando vejo uma pessoa tagarela e inoportuna, interrompendo intempestivamente a
conversa de todo o mundo, ou quando eu mesmo, por distração, vejo-me prestes
a fazer o mesmo, imediatamente tenho a impressão de estar ouvindo a voz de meu pai
soando na clareira do bosque e me ensinando:
- Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.
Desconheço o autor